O Rio De Janeiro está sendo...

Na minha cabeça eu tinha trazido minhas melhores roupas, mas agora eu olho pra elas e vejo calças e vestidos que não tem mais nada haver comigo. Tenho 25 anos mais estou mas estou com 17 agora, moro com meu tio...
As vezes eu me pergunto, pra que hospital eu devo ir se achar que estou morrendo? Mesmo tendo encontrado um bem próximo a casa do meu tio. Lá tem sempre muitos enfermeiros da fé prontos a me ajudar...
Tenho saudade da minha casa, mesmo sendo tratada pelos meus tios e tias como uma filha, eu tenho saudade da minha kitnet minuscula em Natal, eu morava sozinha e visitava minha mãe na terça e no domingo; Eu me sentia super estrela vivendo minha vida loucamente e comprando meus próprios sapatos.
Na semana da viajem minha mãe ajudou com a mala, me lembro de ela ter me olhado sem nenhuma surpresa porque já esta acostumada com as minhas mudanças de cidade e ter dito " que delicia ser jovem né filha? ter sua idade poder jogar tudo pro alto e mudar!" Já eu, só conseguia pensar em uma coisa, que dali em diante e pelos próximos meses eu acordaria cedo para trabalhar como uma pessoa normal e não mudaria todos dias de uma cidade para outra.

E chegando aqui, comecei a trabalhar... Talvez eu morra por aqui mesmo. Ou também posso ir embora se eu quiser...

Eu trabalhei muito nos ultimos 7 anos de uma cidade para outra e assim que eu começava a ser desejada pelos garotos, homens, e sócios...Automáticamente o lugar perdia a graça para mim ficava insuportavel e eu nunca consegui entender isso, afinal existem pessoas que vivem pra isso, pra sentir isso, por uma questão de ego mesmo, enquanto eu me sentia pequena, me sentia horrivel por isso. Até que um dia percebi que "vender sabão" não era divertido, ta bom! eu já achei divertido em algum momento. Virei noites para encontrar graça nisso e percebi que ninguém com decência espirítual vê graça nisso.

Hoje, choro tomando banho, choro desesperadamente, saio do banho antes de terminar... Não posso nem comprar almofadas coloridas ( isso me consola).
Me lembro quando eu era criança, que meu sonho era ter logo problema ou algum motivo para sofrer...

Ao perceber realmente que eu estava decidida a vir embora e mudar de cidade pela última vez, minha mãe percebeu que só tenho 4 anos rs e começou a chorar, " filha lá fora as pessoas costumam complicar a vida e vc tem o costume de lavar as mão". então ela se despediu de mim no aeroporto e eu me tornei oficialmente adulta.

Eu não tenho nenhuma amigo no Rio de Janeiro como eu tinha lá  Val, Dyanna, Jane, Daniel e nada além de mim, e mim coitada.

Mudei de emprego, profissão e cidade... encontrei pessoas novas aqui, umas eu já amo de graça, outras estou aprendendo a conviver. Parte da minha família aqui é realmente incrivel, e sou grata por tudo que eles fazem por mim.

Hoje eu agradeço a Deus por uma dor que tive lá atrás porque foi ela que me fez descobrir a minha capacidade de desabafar e fazer com que as pessoas se identifiquem comigo, uma dor amorosa hoje, pode ser um passo decisivo para você amanhã.


Polly Costa











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